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    Gestão Patrimonial

    Como calcular o ROI de um imóvel do jeito certo

    Quaddo30 de abril de 2026 7 min de leitura

    ROI significa Return on Investment — retorno sobre o investimento. No papel, é simples: divide o ganho pelo que você gastou. Na prática, a maioria dos investidores calcula errado, subestima custos e superestima rendimentos. O resultado? Decisões baseadas em números que não existem.

    Este artigo mostra como calcular o ROI de um imóvel do jeito correto — considerando todos os custos, a vacância real e as métricas que importam para comparar ativos de forma honesta.

    Por que o yield bruto engana

    O erro mais comum começa aqui. O investidor olha para um apartamento de R$ 550.000, vê que o aluguel de mercado é R$ 2.750 por mês e faz a conta rápida:

    R$ 2.750 × 12 = R$ 33.000 por ano ÷ R$ 550.000 = 6% ao ano

    Esse é o yield bruto. Ele serve como filtro inicial — se estiver abaixo de 4%, o ativo já perde feio para o CDI sem precisar calcular mais nada. Mas ele não é o ROI real. Não desconta nenhum custo, nenhuma vacância, nenhum imposto.

    Usar só o yield bruto para tomar decisão é como calcular o lucro de uma empresa olhando apenas para a receita bruta e ignorando folha de pagamento, aluguel e impostos.

    Os custos que a maioria esquece de incluir

    Para calcular o ROI real, você precisa mapear todos os custos que corroem a renda. Em um apartamento residencial típico de R$ 550.000, os principais são:

    • IPTU: em torno de 0,8% a 1% do valor venal. Considere R$ 3.500 a R$ 4.500 por ano em imóveis urbanos de médio padrão.
    • Condomínio (período de vacância): quando o imóvel está vago, o condomínio é responsabilidade do proprietário. Com a vacância padrão de 1 mês por ano, isso representa R$ 600 a R$ 800 nesse período.
    • Manutenção e reparos: considere R$ 100 a R$ 200 por mês como reserva, ou seja, R$ 1.200 a R$ 2.400 por ano. Pintura, hidráulica, elétrica — imóvel antigo ou com inquilino de longa data acumula passivo.
    • Administração imobiliária: se você usa uma imobiliária para administrar, a taxa costuma ser de 8% a 10% sobre o aluguel recebido — aproximadamente R$ 2.640 a R$ 3.300 por ano.
    • Imposto de renda sobre aluguel: pessoa física paga de 7,5% a 27,5% conforme a tabela progressiva. Para uma renda de R$ 2.750/mês sem deduções, a alíquota chega a 15% — cerca de R$ 4.950 por ano.
    • Seguro do imóvel: custo menor, mas real. Entre R$ 400 e R$ 800 por ano para um apartamento residencial.

    Somando de forma conservadora, sem taxa de administração: IPTU (R$ 4.000) + manutenção (R$ 1.800) + condomínio na vacância (R$ 700) + IR (R$ 4.950) + seguro (R$ 600) = R$ 12.050 por ano em custos.

    Calculando o yield líquido e o ROI real

    Com os custos mapeados, o cálculo do yield líquido é direto:

    Yield líquido = ((Renda Anual − Custos Anuais) / Valor do Imóvel) × 100

    Usando o mesmo apartamento de R$ 550.000, com vacância de 1 mês:

    • Renda anual (11 meses): R$ 2.750 × 11 = R$ 30.250
    • Custos anuais: R$ 12.050
    • Renda líquida: R$ 30.250 − R$ 12.050 = R$ 18.200
    • Yield líquido: R$ 18.200 ÷ R$ 550.000 = 3,31% ao ano

    O yield bruto era 6%. O yield líquido real é 3,3%. A diferença não é detalhe — é a metade do retorno evaporando em custos que estavam sendo ignorados.

    Para comparar com outros investimentos, esse é o número que importa. O CDI a 14,75% ao ano, com liquidez diária e risco soberano, vence esse imóvel folgado em renda corrente. A aposta no imóvel só se justifica com valorização patrimonial — e aí o cálculo muda.

    ROI total: incluindo a valorização

    O ROI completo de um imóvel tem duas partes: a renda de aluguel e a valorização do patrimônio. Para calcular o retorno total, você precisa das duas.

    ROI total = ((Renda Líquida + Valorização) / Custo de Aquisição) × 100

    Suponha que o apartamento de R$ 550.000 foi comprado há 3 anos e hoje vale R$ 620.000. A valorização foi de R$ 70.000, ou aproximadamente 4,2% ao ano. Some isso à renda líquida anual de R$ 18.200 e o retorno total fica mais robusto.

    Mas atenção: valorização é retorno não realizado. Ela só vira caixa quando você vende — e a venda tem custos. Corretagem de 5% sobre R$ 620.000 representa R$ 31.000. O ITBI na compra já foi pago, mas o IR sobre o ganho de capital na venda pode chegar a 15% sobre os R$ 70.000 de lucro, ou seja, mais R$ 10.500. Esses custos de saída corroem o retorno da valorização de forma significativa.

    Uma métrica útil para quem comprou abaixo do mercado ou há muitos anos é o yield on cost:

    Yield on cost = (Renda Anual / Custo de Aquisição) × 100

    Se o imóvel foi comprado por R$ 420.000 há 8 anos e o aluguel atual é R$ 2.750/mês, o yield on cost é (R$ 33.000 ÷ R$ 420.000) × 100 = 7,86% ao ano. Esse número mostra o rendimento sobre o capital realmente alocado — e é muito diferente do yield sobre o valor de mercado atual.

    Comparando imóveis de forma justa

    Quando você tem dois ou mais imóveis para comparar, ou está avaliando uma nova aquisição, algumas práticas evitam distorções:

    1. Use sempre o yield líquido, nunca o bruto, para comparação de renda corrente.
    2. Padronize a vacância. Usar 1 mês por ano é conservador e realista para imóveis bem localizados. Para imóveis com histórico de vacância alta, use 2 meses.
    3. Separe renda de valorização. São retornos com características completamente diferentes — liquidez, previsibilidade e tributação distintas.
    4. Considere o custo de oportunidade. O dinheiro imobilizado no imóvel tem um custo. Se R$ 550.000 renderiam R$ 81.125 por ano no CDI (14,75%), o imóvel precisa justificar essa diferença com valorização, alavancagem ou benefícios não financeiros.
    5. Inclua o custo de aquisição total. ITBI, escritura, registro e eventuais reformas na entrada fazem parte do custo real. Um imóvel de R$ 550.000 com ITBI de R$ 11.000 e R$ 20.000 em reforma sai por R$ 581.000 de custo efetivo — e o yield cai proporcionalmente.

    Esses ajustes parecem pequenos isoladamente, mas a diferença entre calcular bem e calcular mal pode representar centenas de milhares de reais em decisões erradas ao longo de uma carteira de 4 a 6 imóveis.

    Como o Quaddo te ajuda

    Fazer esse cálculo uma vez em uma planilha é possível. Fazer isso de forma contínua, para múltiplos imóveis, com dados atualizados de vacância, custos reais lançados mês a mês e comparação automática com benchmarks de mercado — aí a planilha começa a falhar.

    O Quaddo foi construído para isso. A plataforma consolida todos os seus imóveis em um painel único, calcula automaticamente o yield bruto, yield líquido e ROI total de cada ativo, registra receitas e despesas por imóvel e mostra como sua carteira performa em relação ao CDI e a outros benchmarks.

    Você para de gerenciar patrimônio no escuro e começa a tomar decisões com os números certos na mão — qual imóvel está puxando o retorno da carteira para baixo, qual tem margem para reajuste de aluguel, qual pode fazer mais sentido vender do que manter.

    Se você tem imóveis e ainda não sabe com precisão qual é o yield líquido de cada um deles, vale começar agora. Teste gratuitamente e veja o retorno real da sua carteira em minutos.