Consultoria e Family Office

Family office e imóveis: como medir o patrimônio

O que é family office, a diferença entre single e multi family office e como medir os imóveis da família com a mesma régua dos investimentos.

João Felipe Frandolozo14 de setembro de 20265 min de leitura

Um family office existe para cuidar do patrimônio inteiro de uma família. Na parte financeira, isso costuma funcionar bem: há custódia, extrato diário, sistema de consolidação e comparação com índices. Na parte imobiliária, que em muitas famílias é a maior, o retrato ainda é uma planilha com valores de compra, contratos em pastas diferentes e aluguel que ninguém soma direito.

Neste artigo você vai ver o que é um family office, a diferença entre single e multi family office, o que ele faz com os imóveis da família e como medir essa parte do patrimônio com a mesma régua usada nos investimentos.

O que é family office?

Family office é a estrutura dedicada a administrar o patrimônio e os assuntos financeiros de uma família de alta renda. O escopo vai além dos investimentos: inclui planejamento sucessório, governança familiar, organização tributária e contábil, gestão de empresas e imóveis, seguros e, em alguns casos, a rotina administrativa da família.

A ideia central é ter um único responsável por enxergar o conjunto. Em vez de cada banco, advogado e contador cuidar da sua parte sem conversar com os outros, o family office coordena as decisões e responde à família pelo patrimônio consolidado.

Qual a diferença entre single family office e multi family office?

O single family office atende uma única família, com equipe e estrutura próprias. Dá controle total e dedicação exclusiva, mas tem custo fixo alto, e por isso em geral só se justifica para patrimônios muito grandes.

O multi family office atende várias famílias com a mesma equipe e a mesma estrutura, dividindo o custo entre elas. No Brasil, é o formato mais comum, e muitas vezes convive com a consultoria de investimentos: o mesmo escritório aconselha a carteira e coordena os demais assuntos patrimoniais da família.

O que um family office faz com os imóveis da família?

Na prática, os imóveis entram em quase todas as frentes do trabalho:

  • Consolidação: saber o que a família tem, em nome de quem e quanto vale.
  • Renda: acompanhar aluguel recebido, vacância, reajustes e custos de cada imóvel.
  • Decisão de alocação: identificar quais imóveis se pagam e quais estão rendendo abaixo das alternativas.
  • Sucessão: organizar a transmissão aos herdeiros, com holding, doação ou testamento, sempre com advogado e contador.
  • Governança: definir quem decide sobre venda, reforma e locação quando vários membros da família são donos.
  • Relatório: mostrar à família, com periodicidade, como a parte imobiliária evolui ao lado da financeira.

Por que os imóveis são a parte mais difícil de consolidar?

Porque tudo o que torna a carteira financeira fácil de acompanhar falta no imóvel. Não existe cotação diária. A informação está espalhada entre matrícula, IPTU, contrato de locação, repasse da administradora e extrato bancário. A titularidade varia: um imóvel está no nome do patriarca, outro na holding, outro já foi doado aos filhos com usufruto.

E a renda precisa ser líquida para significar alguma coisa. Um aluguel de R$ 6 mil por mês parece bom até descontar condomínio, IPTU, manutenção e os meses em que o imóvel ficou vago. O artigo sobre vacância mostra o tamanho desse desconto.

Como medir a parte imobiliária do patrimônio da família?

Em cinco camadas, e cada uma depende da anterior:

  1. Cadastro: cada imóvel com matrícula, titular, participação de cada membro, ônus e contratos vigentes.
  2. Valor de mercado recorrente: uma estimativa atualizada todo mês, pelo mesmo critério para todos os imóveis. Laudo fica para a hora da operação, como explica o artigo sobre avaliação de imóvel.
  3. Renda líquida: aluguel recebido menos vacância, condomínio, IPTU e manutenção, imóvel por imóvel.
  4. Comparação: yield líquido e retorno no período contra CDI, IPCA e fundos imobiliários, na mesma janela usada para os investimentos.
  5. Visão por família e por geração: o mesmo patrimônio agrupado por titular, para as conversas de sucessão e governança.

Como fica isso num exemplo?

Imagine uma família com R$ 40 milhões de patrimônio: R$ 16 milhões em investimentos e R$ 24 milhões em onze imóveis, divididos entre o patriarca, uma holding e dois filhos que receberam imóveis por doação.

Com as cinco camadas montadas, o relatório deixa de dizer só "imóveis: R$ 24 milhões". Passa a mostrar que os onze imóveis geram R$ 76 mil por mês de renda líquida, o equivalente a 3,8% ao ano sobre o valor de mercado; que três deles concentram metade da renda; que dois estão vagos há mais de seis meses; e que a parte na holding rende menos que a parte na pessoa física, porque reúne os imóveis de uso da família.

Nenhuma dessas frases exige opinião. Todas saem do cadastro, do valor e da renda medidos com critério. E cada uma vira uma pauta concreta para a reunião com a família.

O que deve aparecer no relatório da família?

  • Patrimônio consolidado, com a divisão entre financeiro e imobiliário.
  • Cada imóvel com valor de mercado, data da estimativa e faixa de confiança.
  • Renda bruta e líquida do período, com vacância destacada.
  • Yield líquido e retorno comparados com o CDI no mesmo período.
  • Contratos que vencem ou reajustam nos próximos meses.
  • Visão por titular, para acompanhar a sucessão.
  • O parecer do responsável pelo relacionamento: o que manter, o que rever e por quê.

Para quem aconselha a carteira do cliente

Um family office promete cuidar do patrimônio inteiro. Enquanto os imóveis ficarem numa planilha com valor de compra, essa promessa cobre só a parte financeira.

A Quaddo faz esse acompanhamento para consultorias e family offices: cada imóvel do cliente é reavaliado todo mês, com faixa e score de precisão, e aparece com yield líquido, vacância e comparação com o CDI, ao lado da carteira financeira. O relatório mensal sai com a marca do escritório.

Se você acompanha famílias com imóveis, veja como a Quaddo mede a carteira imobiliária dos clientes.